Uma Sombra na Escuridão

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Gato ‘estudante’ acumula títulos de melhor aluno em faculdade de SP

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Branco acompanha aula de direito na Fatec de Santos (Foto: Arquivo Pessoal)

Branco acompanha aula de direito na Fatec de Santos (Foto: Arquivo Pessoal)

 

Orion Pires, no G1

Branco é daqueles ‘estudantes’ largados, que não levam nem mochila para a faculdade, e vivem rodeados de amigos. Apesar de não usar lápis, caneta ou borracha, há pouco mais de cinco anos ele frequenta aulas de todos os cursos da Fatec Rubens Lara, em Santos, no litoral de São Paulo, e faz questão de ser notado. Recentemente, ganhou até uma página em uma rede social de tão especial que é para os alunos, professores e funcionários. A fama seria até normal, caso Branco não fosse um gato.

O felino que frequenta as aulas como se fosse um aluno apareceu na unidade que fica na Ponta da Praia em meados de 2010 e, desde então, se tornou o mascote da Fatec e figura querida por todas as turmas. “O Branco é muito querido por todos. Ele é de uma vizinha da faculdade, mas começou a visitar e frequentar há algum tempo. O pessoal adotou ele como um verdadeiro mascote”, conta a ex-professora e voluntária Gisele Esteves Prado.

Branco dorme em cima da mochila de aluno (Foto: Arquivo Pessoal)

Branco dorme em cima da mochila de aluno (Foto: Arquivo Pessoal)

 

Já Andressa Serpa que trabalha no setor administrativo da escola, garante que o jeito dengoso ganhou o coração dos estudantes. “Ele era xodó de uma senhora que fazia o café. Ela ficava sozinha na cozinha e o Branco acompanhava. Depois, ele começou a participar da secretaria. Diversas vezes eu chego para trabalhar e ele está no colo de algum aluno, deitado na mochila ou na porta de alguma sala de aula esperando para entrar. Já aconteceu de um professor dar aula e ele sentado na mesa ou na cadeira do professor”, comenta.

Foi graças a essa popularidade involuntária que Branco ganhou uma página oficial no Facebook. O “Branco da Fatec Silva” tem quase 2 mil curtidas e muitos ‘memes’ sobre o dia a dia do ambiente universitário. O moderador da página também aproveita o carisma do animal para dar recados importantes.

Branco adora ficar no laboratório da faculdade (Foto: Arquivo Pessoal)

Branco adora ficar no laboratório da faculdade (Foto: Arquivo Pessoal)

 

“É muito legal, porque ele realmente parece um estudante. Todo dia ele está na faculdade. Acompanha às aulas, vai na secretaria e fica nos laboratórios brincando com os mouses ou dormindo nos teclados. Como ele é muito mansinho e carinhoso, o pessoal dá comida para ele e ajuda a cuidar, mesmo sabendo que ele tem uma dona. Ele gosta tanto de lá que durante o período de férias fica até deprimido por não ver os alunos”, acrescenta a professora, cujo marido também é professor na unidade.

Para se ter uma ideia do currículo de Branco, a página oficial faz questão de descrever os principais títulos conquistados por ele ao longo dos anos nos vários cursos que frequentou. “Melhor Aluno ADS 2011, Melhor Aluno Gestão 2012, Melhor Aluno SI 2013 e Melhor Aluno Logística 2014”.

Independente das conquistas do pequeno felino, Andressa garante que o importante é a relação de amizade criada com toda a comunidade a partir da chegada de Branco. “Esse gato é um fofo. Eu já tive gato e tenho certeza que não teria tanta graça trabalhar se não tivesse ele. O ambiente fica mais alegre”, afirma.

Branco recebe carinho de aluna (Foto: Arquivo Pessoal)

Branco recebe carinho de aluna (Foto: Arquivo Pessoal)

Catadora vai à formatura carregando as latinhas que pagaram sua faculdade

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“Eu tinha que ser alguém na vida, não ser só sucateira, mas ter um curso superior pra dar exemplo para as minhas filhas.”

Publicado no Razões para Acreditar

A paraibana Luciene Gonçalves, 35 anos, conseguiu pagar os quatro anos do curso de serviço social em uma faculdade particular de Souza, no sertão da Paraíba, com o dinheiro arrecadado da venda de latinhas de alumínio.

A conquista serve de inspiração para as filhas que estão concluindo o ensino médio. O segredo para a vitória foi não perder tempo reclamando dos problemas da vida. “E eu sempre digo ao meu marido que não reclame, pois quem reclama não sai da lama”, disse a sucateira ao G1.

Ela entrou na faculdade junto com o marido, Pedro Filemon, 35 anos, também sucateiro e que escolheu estudar administração, após Luciene insistir para que ele participasse da seleção.

“Eu tinha que ser alguém na vida, não ser só sucateira, mas ter um curso superior pra dar exemplo para as minhas filhas. Tem gente que trabalha em escritório e diz que não tem tempo para estudar. Eu trabalho dentro da sujeira e pra mim não faltou garra para terminar meus estudos. Tem gente que reclama de barriga cheia”, afirma Luciene.

Luciene largou os estudos para trabalhar e ajudar a família. Dez anos depois de concluir o ensino médio, ela voltou para a sala de aula. “Serviço Social foi feito pra mim. Eu gosto muito de ajudar as pessoas. E depois que entrei no curso e fiz estágios, tive a certeza de que aquilo foi feito para mim”, diz.

Quando estava prestes a terminar o curso, o pai de Luciene ficou doente e ela era única pessoa que poderia acompanhá-lo na hemodiálise 3 vezes por semana.

“Às vezes chegava na sala de aula chorando, mas também amigas que foram como irmãs, que me apoiaram. Essa foi a época mais difícil, pois ocorreu quando eu já estava fazendo meu trabalho de conclusão de curso”, lembra Luciene.

No baile de formatura, ela decidiu homenagear o marido, que abriu mão de participar da comemoração. Luciene entrou no baile carregando latinhas e as imagens da festa emocionaram os internautas. “Eu quis homenagear e confesso que estou um pouco surpresa com a repercussão que está tendo”, conta.

Confira a entrada triunfal de Luciene no baile de formatura:

Foto: David Silva/Alian Eventos

Professora utiliza ‘memes’ para atrair alunos em universidade em Cabo Frio

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"Suspeitos" conversam sobre aula de nivelamento de português (Foto: Facebook/Reprodução)

“Suspeitos” conversam sobre aula de nivelamento de português (Foto: Facebook/Reprodução)

 

Cursos de universidade de Cabo Frio, RJ, são divulgados nas redes sociais.
Memes aumentaram a frequência dos estudantes, segundo a professora.

Publicado no G1

“E aí, qual o esquema? São três fases. Primeiro a gente aborda, depois explica o que tá acontecendo, aí finaliza”. A conversa entre dois “suspeitos” parece o plano de um crime, mas, na verdade, é a forma como a professora Mônica Cabral, de 49 anos, encontrou para atrair os alunos em uma universidade de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio. O objetivo é utilizar os “memes” para aumentar a frequência dos estudantes nas aulas de nivelamento de português aplicadas na universidade.

Professora há 30 anos, ela testemunhou a transição da divulgação do projeto oferecido pela faculdade. Nele, os alunos recebem conteúdo básico gratuito de Biologia, Física, Matemática e Português. De acordo com ela, as salas de aula ficavam vazias com a forma como a propagação do curso de nivelamento era feita.

“Dou aula no Nivelamento de Português desde que entrei para a universidade, em 2004. Desde então, a divulgação ficava a cargo da própria instituição, por meio de cartazes nos murais. Eu divulgava em sala, durante as minhas aulas. Com todos os esforços, a participação dos alunos ainda era muito pequena”, disse a professora, mestre em Língua Portuguesa formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professora de oito matérias em quatro cursos da universidade.

Livro O Código da Vinci, do Dan Brown, serviu de inspiração para "meme" (Foto: Facebook/Reprodução)

Livro O Código da Vinci, do Dan Brown, serviu de inspiração para “meme” (Foto: Facebook/Reprodução)

Da divulgação realizada no “boca a boca”, a professora passou a utilizar o Facebook como ferramenta de anúncio dos cursos de nivelamento. Com o tempo, as publicações comuns deram espaço às postagens mais criativas. Com o auxílio da filha, Luana Cabral, de 20 anos, aluna do curso de Publicidade na mesma instituição, elas iniciaram uma parceria para a produção dos memes.

“Costumo tratar pedagogicamente os conteúdos de língua portuguesa de um modo leve, com exemplos do dia a dia e situações engraçadas. Desse ponto de vista, essa linguagem (utilizada nas redes sociais) permite uma aproximação maior com os alunos, de forma lúdica”, afirmou.

O sucesso nas redes sociais fez a brincadeira se tornar motivo de reunião semanal. De acordo com a professora, ela e a filha se reúnem para discutir o tema da aula e das propostas. Desta forma, buscam intertextualizar o tema da aula com os acontecimentos em destaque da semana para a crianção dos memes.

Com mais interatividade nas redes sociais, a professora conquistou o objetivo de aumentar a frequência dos alunos no curso de nivelamento da universidade. No entanto, ela afirma que a cada semana tem um novo desafio. “Temos que atender a expectativa desse novo público”, diz.

Além de ter mais alunos assistindo às aulas, Mônica Cabral garante que houve aumento nas curtidas e comentários na publicação dos memes no Facebook e que é abordada nos corredores da universidade para saber quando haverá novas postagens.

Memes publicados pela professora rendem curtidas e compartilhamentos (Foto: Facebook/Reprodução)

Memes publicados pela professora rendem curtidas e compartilhamentos (Foto: Facebook/Reprodução)

 

“Essas publicações trouxeram ainda mais visibilidade ao curso e interesse dos estudantes pelas aulas. Não só as curtidas e os comentários aumentaram, mas também a frequência na sala. Nos encontros com os alunos pelos corredores e salas da universidade, eles comentam sobre as postagens. Alguns, inclusive, me disseram que ficam aguardando as postagens para ver o que iremos trazer de novidade quanto aos memes”.

Quadro 'O Grito' (1983) de Edvard Munch serviu para falar sobre vírgulas (Foto: Facebook/Reprodução)

Quadro ‘O Grito’ (1983) de Edvard Munch serviu para falar sobre vírgulas (Foto: Facebook/Reprodução)

Apesar do sucesso na universidade e de ter feito a brincadeira ter dado certo, ela afirma que o mais importante é ter os alunos dentro da sala de aula.

“O fato mais importante é de o nivelamento de Português atrair mais estudantes da universidade nas aulas. O objetivo do curso é exatamente este: torná-los leitores e produtores de textos com mais maturidade linguística”, conclui.

Livraria reorganiza obras para evidenciar desigualdade de gênero

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“Vendo livros há mais de 20 anos, e todo mês de março destaco o trabalho das mulheres”, disse Harriet Logan, fundadora e dona da livraria, ao BuzzFeed. “Mas neste ano eu quis fazer algo diferente, algo que destacasse não só os bons trabalhos feitos pelas mulheres, mas também a disparidade na indústria.”

“Vendo livros há mais de 20 anos, e todo mês de março destaco o trabalho das mulheres”, disse Harriet Logan, fundadora e dona da livraria, ao BuzzFeed. “Mas neste ano eu quis fazer algo diferente, algo que destacasse não só os bons trabalhos feitos pelas mulheres, mas também a disparidade na indústria.”

 

Publicado no Catraca Livre

Uma livraria norte-americana decidiu fazer uma ação em março para mostrar a desigualdade de gênero na literatura. A Loganberry Books, localizada em Cleveland (EUA), girou todas as obras de autores homens de suas prateleiras, escondendo as lombadas, enquanto as escritas por mulheres não foram alteradas.

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Em entrevista ao “BuzzFeed”, Harriet Logan, fundadora e dona da livraria, afirmou: “Vendo livros há mais de 20 anos e todo mês de março destaco o trabalho das mulheres. Mas neste ano eu quis fazer algo diferente, algo que destacasse não só os bons trabalhos feitos pelas mulheres, mas também a disparidade na indústria”.

De acordo com Logan, apenas 37% dos livros de ficção de sua loja foram escritos por mulheres. No total, cerca de 10 mil volumes escritos por homens foram virados. A mudança foi feita em uma apresentação aberta aos clientes.

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“A reação dos clientes foi fantástica. Muitas pessoas só ficaram lá, paradas, olhando e balançando as cabeças em desaprovação”, disse a fundadora do local.

“Eu quero que as pessoas pensem: ‘Existe uma disparidade, mas por quê? Como é a estante de livros na minha casa? O que pode ser feito para mudar esse desequilíbrio?’, e que depois procurem um título de uma autora que ainda não conhecem e experimentem lê-lo”, finalizou.

O projeto de Logan parece ter tido um efeito também em outros lugares.

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“Um professor de St. Agustine, na Flórida, me disse que depois fez a mesma coisa com os livros em sua sala de aula e discutiu com seus alunos sobre a disparidade entre os gêneros na educação”, disse Logan.

Professor melhora desempenho de alunos através da Física e projeto é premiado

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Professor Hercilio Pereira Cordova recebendo o prêmio de segundo lugar Foto: Divulgação Shell

Professor Hercilio Pereira Cordova recebendo o prêmio de segundo lugar Foto: Divulgação Shell

 

Ramon de Angeli, Extra

Com o objetivo de mostrar aos alunos com é feita uma pesquisa e as forma como trabalha um pesquisador, o professor de Física Hercilio Pereira Cordova, do Colégio Estadual José de Souza Marques, em Brás de Pina, resolveu criar um projeto para estudo das condições de conforto térmico das salas de aula da escola, utilizando um dispositivo que registrava a temperatura, umidade do ar e velocidade do vento a cada minuto. Depois de um período de coleta de dados, os resultados eram analisados e debatidos em sala de aula, integrando sempre o conteúdo que estavam estudando em sala de aula.

Segundo o professor, os alunos se interessaram bastante pelo projeto e o rendimento na disciplina melhorou bastante.

—A aplicação prática da física como ferramenta didática melhora o aprendizado, bem como a conexão entre teoria e realidade do cotidiano dos alunos – afirma o educador.

Dado o sucesso da iniciativa, o projeto foi inscrito em um concurso organizado pela Shell, a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro, e o British Council, e o educador foi um dos ganhadores do Prêmio de Educação Científica de 2016. Como recompensa pelo segundo lugar, Hercílio ganhou uma quantia em dinheiro e equipamentos para o colégio, além de uma passagem para Londres com outros cinco professores ganhadores, todos de escolas públicas de municípios do Rio de Janeiro.

Placa eletrônica Arduino, dispositivo usado para fazer medições Foto: Arquivo Pessoal

Placa eletrônica Arduino, dispositivo usado para fazer medições Foto: Arquivo Pessoal

 

Reconhecer, valorizar e estimular o trabalho de professores nas áreas de Ciências e Matemática é a finalidade do concurso, que já existe há três anos. Na visão do do educador, o prêmio é um reconhecimento, não só de seu trabalho e da aplicação para os seus alunos, mas de todos os envolvidos no sistema educacional, como a equipe diretiva, inspetores de alunos, secretaria.

—Isso mostra que mesmo nas adversidades podemos fazer um bom trabalho, isso não omite a responsabilidade do poder público em melhorar as condições de educação, mas também não justifica ficarmos de braços cruzados esperando os ventos melhorarem. E sem dúvida o reconhecimento deixa qualquer profissional feliz. O prêmio transformou a sala. Os alunos agora podem presenciar que o estudo traz resultados, que o estudo é um dos nossos bens mais preciosos, ninguém pode tirar o conhecimento que temos. Mantenho contato com os alunos e provavelmente serei professor deles neste ano, e já em janeiro, em plenas férias, eles perguntam qual serão os projetos deste ano e o que já podem ir estudando. Sim, o prêmio traz uma coisa que não tem preço, o bom exemplo.

Em Londres, o professor irá visitar escolas, museus e centros de referência em ensino.

—Não será uma viagem de passeio, mas de estudos.

Como dica para quem está com dificuldade na matéria, Hercílio explica:

—O primeiro ponto é: O que você quer? UFRJ, UERJ, forças armadas, um curso técnico? A internet está repleta de vídeos e material didático de boa qualidade. Se uma disciplina parece difícil, tentem ver com outro professor ou outra metodologia de ensino. Às vezes é apenas uma questão de maturidade educacional, pois hoje o jovem tem uma visão do mundo.

Segundo o professor, a Física é uma matéria muito rica em conteúdo e pode ser explorada de diversas formas

—É preciso partir para onde temos mais dificuldades, procurar material (livros, textos na internet ou mesmo vídeos). Persistência e determinação fazem um bom estudante, afinal nunca paramos de estudar, há sempre mais degraus a subir — completa.

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