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Literatura contribui para encurtar cumprimento de pena nas cadeias

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Leitura oferece outros caminhos e liberdade mais rápida aos presos

Leitura oferece outros caminhos e liberdade mais rápida aos presos

 

Projeto implantado no Paraná já se espalha pelo resto do Brasil e é considerado modelo.

Marcelo Nannini, no Blasting News

Quem mora na cidade de São Paulo, já deve ter observado em algumas avenidas um grafite feito nos muros onde se desenhou um alienígena lendo um livro. Ao lado do desenho, o criador fez um pequeno quadro com os seguintes dizeres: “Livro te livra”.

Por outro lado, apesar de não terem a liberdade almejada para ver esse grafite, detentos e presos do sistema penitenciário estão indo ao encontro da ideia pintada no muro.

É que surgiu uma iniciativa pioneira, da qual 3 mil presos participam, propondo a leitura mensal de um livro. Em nome da #Cultura, os presos devem escrever um resumo a ser apreciado e avaliado por voluntários ou professores. Caso passem pelo crivo do avaliador, a pena é diminuída em 4 dias.

O projeto surgiu no estado do Paraná e se estima que de 12% a 15% do total de encarcerados aderiram à Remição pela Leitura, em funcionamento desde 2012.

Mesmo ano em que o projeto entrou em vigor por meio da Lei Estadual do Paraná nº 17.329. Passados quase cinco anos, atraiu a atenção de outros estados brasileiros e chegou às portas da Calábria, na Itália, em 2014.

Reconhecido como sucesso, o Remição de Pena pela Leitura faturou alguns prêmios, como o Prêmio Nacional de Boas Práticas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
De que maneira o projeto funciona

O alvo principal é fornecer e dar oportunidade ao detento mais conhecimento, disseminar a educação e promover uma formação cultural a ele. Mas, indo mais a fundo, o “Remição” é um modo de fazer cumprir a ressocialização do preso na comunidade e inseri-lo no convívio social, itens primordiais que constam nas premissas do Código Penal Brasileiro.

Podem participar do programa, todos os presos alfabetizados das unidades penais. A cada início de mês, eles devem escolher um livro na biblioteca localizada dentro da penitenciária.

É importante que a escolha da obra seja condizente com o seu nível escolar. O preso tem o prazo máximo de 20 dias para ler a livro que escolheu e, depois disso, mais 10 dias para produzir uma resenha ou um resumo sobre o que entendeu da história. Feito isso, ele deve apresentar sua redação aos avaliadores que, no caso do Paraná, são professores de Língua Portuguesa. Caso os avaliadores deem uma nota igual ou superior a 6,0, o leitor tem direito a ter sua pena reduzida em 4 dias.

Mas isso só será aplicado, depois de elaborar um relatório de atividade de estudo emitido pelos avaliadores, os quais são vinculados pelos Centros Estaduais de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja), órgão paranaense.

As estatísticas mostram que o projeto vem dando bons frutos: até agora, cerca de 57.300 #Livros já foram lidos e a expansão do projeto alcança outros 46 estabelecimentos prisionais por todo o Brasil.

No estado de São Paulo, em vez de professores, existem voluntários – como jornalistas – que fazem da língua portuguesa o seu ofício e comparecem às prisões, a fim de ler os resumos produzidos e aferir se os detentos compreenderam o que leram..

Quando os presos finalmente obtiverem a liberdade, não serão mais alienígenas; mas se lembrarão de que, um dia, um ou vários livros confirmaram a tese do grafiteiro.

A (in)utilidade da literatura: ninguém quer pensar fora da caixa

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Gisella Meneguelli, no Green Me

Todorov, um crítico literário que nos deixou recentemente, em um de seus livros disse que a literatura está em perigo porque ela não tem poder algum, já que não participa da formação cultural das pessoas, ou, quando participa, participa burocraticamente – o que é uma antítese dela própria. Esse pensamento aparentemente pessimista diz respeito a uma imensa comunidade de leitores que, hoje, com a cultura digital, parece ampliado, mas lê cada vez menos Literatura.

Sem adentrar na grande discussão a que tal assunto pode levar, seja por uma conjuntura social seja por falta de motivação individual (é uma linha tênue que une ambas as razões), não ler Literatura é perder muitas oportunidades e uma delas, senão a principal, é deixar de conhecer, de colocar-se em contato com a diversidade do humano.

Ampliando a questão posta por Todorov, a leitura do texto literário deve ser compreendida, também, para além de seus tecidos, que se inserem social e temporalmente em outros discursos, o que exige que adotemos o ponto de vista de outros. E quando nos posicionamos para abrir um livro é exatamente isso o que acontece – e, talvez, para alguns, essa seja a maior dificuldade em ler Literatura, esse exercício de sair de si mesmo, de “pensar fora da caixa”.
A experiência de ser um outro

Nesse sentido, Todorov questiona: “Que melhor introdução à compreensão das paixões e dos comportamentos humanos do que uma imersão na obra dos grandes escritores que se dedicam a essa tarefa há milênios?”. Essa experiência, que se dá pela memória dos discursos e da própria experiência corpórea, se abre para nós quando lemos, quando nos entregamos – sem amarras e censuras – aos braços do outro por cujos olhos passamos a ver o mundo.

Como não se sensibilizar com a dor de Anna Karenina, nascida da sua coragem e da sua impossibilidade de tomar as rédeas de sua vida por seu deslocamento no contexto sócio-histórico em que vive?; como não ser empático às agruras sofridas por Josef K. ante um sistema vulnerável e inflexível?; como não desconfiar da unilateralidade da visão de Bentinho sobre a sua relação com Capitu?

Ao assumirmos diferentes pontos de vista, desconfortos aparecem. Nossas certezas tornam-se dúvidas, o que pode ser bastante angustiante, mas, ao mesmo, tempo revelador. Como diz o professor de Letras da UFPE, Anco Márcio Tenório Vieira, para o Jornal do Commercio: “Quem inicia a leitura de Dom Casmurro buscando encontrar um discurso persuasivo contra o adultério e a favor da família patriarcal, cristã e burguesa, como vamos encontrar nos romances de Eça, Flaubert e Tolstoi, encontra uma linguagem polissêmica que puxa o tapete de todas as suas certezas. Depois da desconstrução do casamento de Flaubert e Tolstoi, a única certeza que Machado oferece é a da dúvida”.

Mas isso não quer dizer que a literatura tem alguma função pedagógica ou moralizante. Outro teórico, Roland Barthes, diz que “A literatura não permite andar, mas permite respirar”. Justamente porque ela não tem um compromisso instrumental, mas sim jorra sobre nós um sopro de vida.

Algo que é muito próprio da literatura é o seu poder de reunir crenças, emoções, imaginação em um saber insubstituível, como diria Antoine Compagnon, sem propor sintetizar a complexidade humana. Ao contrário, ela é um saber de singularidades.

Enquanto grande parte dos programas de televisão (e alguns livros também) reafirma as nossas crenças, os nossos preconceitos, sem nos propor algo novo e nos deixando confortáveis sentados no sofá (que perigo há nisso!), um livro nos desestabiliza (no bom sentido), porque nos faz ir além, porque nos propõe perguntas e, com isso, nos demanda uma ação, um comportamento ativo e a possibilidade de sermos mais sujeitos.

Livro de Carolina Maria de Jesus é resgatado em vestibulares da UFRGS e Unicamp 40 anos após morte de escritora

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Carolina Maria de Jesus à margem do Rio Tietê e, ao fundo, a Comunidade do Canindé (Foto: Audálio Dantas, 1960)

Carolina Maria de Jesus à margem do Rio Tietê e, ao fundo, a Comunidade do Canindé (Foto: Audálio Dantas, 1960)

 

‘Quarto de despejo – Diário de uma favelada’ está nas listas obrigatórias de exames das duas universidades. Professores de literatura valorizam inclusão e possibilidade de reflexões.

Publicado no G1

O livro “Quarto de Despejo – Diário de uma favelada”, de Carolina Maria de Jesus, está entre as novidades dos próximos vestibulares da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No ano em que a morte da escritora completa 40 anos, a obra resgatada está indisponível em algumas livrarias, mas a editora responsável pela impressão garante reposição e, à espera de alta na demanda, considera hipótese de elevar tiragem.

O diário foi anunciado na semana passada como uma das três alterações na lista da Unicamp para o vestibular 2019. Os outros dois livros inseridos na lista obrigatória de leituras são a poesia “A teus pés”, de Ana Cristina Cesar; e o romance “História do Cerco de Lisboa”, de José Saramago.

Já a UFRGS confirmou , em março, a inclusão do livro na edição 2018 do processo seletivo. A universidade renova anualmente a relação de obras com a substituição de quatro títulos.

A capa do livro escrito por Carolina Maria de Jesus (Foto: Editora Ática)

A capa do livro escrito por Carolina Maria de Jesus (Foto: Editora Ática)

Inovações

Carolina nasceu em Sacramento (MG), em 1914, e foi morar na capital paulista em 1947, época em que surgiram as primeiras favelas na cidade. Uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil, ela reúne em “Quarto de Despejo” relatos de parte das experiências que viveu e observou na comunidade do Canindé, com três filhos. O lançamento ocorreu na década de 1960.

Para o professor de literatura Laudemir Guedes Fragoso, a inclusão da história da catadora de papel e sucatas nos processos seletivos representa inovações em abordagens de conteúdo e forma.

“Ela foi uma voz dissonante do Brasil marginalizado, é interessante se fazer paralelo com momento atual do país”, frisou o docente ao mencionar que vê tendência na abordagem de temas sociais nas provas, incluindo literatura indígena. Ele também lembrou a relevância na tratativa de um diário.

“É um gênero antigo, do século XV, e chama atenção a busca por novas formas literárias dentro da prova”, falou o professor do Colégio Objetivo ao lembrar da inclusão de “Minha vida de menina” na edição 2018 da Fuvest. A instituição já definiu a lista para o vestibular 2019 da USP e da Santa Casa.

Conexões

O professor de literatura Octávio da Matta, do Anglo, manteve o tom e valorizou a flexibilização dos vestibulares, que passaram a incluir não somente obras clássicas, mas também livros que retratam a história recente do país e as questões que seguem em debate, incluindo “Quarto de despejo”.

“A Unicamp e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul estão convidando o estudante para uma reflexão. Carolina faz um relato autobiográfico, mas ainda hoje pode ser considerado atemporal por apresentar questionamentos sobre a violência, problema do alcoolismo e violência doméstica, a preocupação em conseguir sustentar os filhos e a revolta por não ter o que comer”, ressalta.

No caso da universidade em Campinas, em especial, o docente valorizou o fato da mesma lista de livros contemplar a obra da escritora mineira, e “O espelho”, de Machado de Assis. ”

Estoques

A assessoria de imprensa da Editora Ática informou, em nota, que recebeu uma nova reimpressão do livro na segunda quinzena de abril. O desabastecimento, segundo a empresa, ocorreu por causa do “espaço” entre esta etapa e a distribuição. “Em nosso e-commerce o livro já está disponível e ao longo das próximas semanas o livro voltará às livrarias. O livro está em sua décima edição”, diz nota.

Em relação à tiragem de “Quarto de despejo”, a editora mencionou que ela já foi elevada em 20%, em virtude da inclusão na lista da UFRGS. A expectativa é de que outra seja feita quando houver queda do estoque, por causa da colocação da obra entre os assuntos do vestibular da Unicamp.

“Esperamos que haja um aumento na procura pela obra, naturalmente, mas sabemos que obras de literatura não precisam ser necessariamente compradas novas, podem ser emprestadas de bibliotecas, de amigos ou adquiridas de segunda mão em sebos. Por isso, não temos previsão de nova tiragem enquanto tivermos estoque suficiente para atender as demandas”, informa texto.

Rede pública

Em 2013, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) comprou e distribuiu, por meio do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), 29 mil exemplares do livro para escolas públicas com alunos em anos finais do ensino fundamental. De acordo com o governo federal, não há reserva ou destaque de exemplares, nem previsão para novas aquisições do título.

“Por meio do PNBE, são beneficiadas todas as escolas públicas, sem necessidade de adesão. […] Os livros são encaminhados diretamente às escolas para a composição dos acervos das bibliotecas e disponibilização dos exemplares aos alunos, geralmente, por meio de empréstimos e consulta.”

Atenção fãs de de Harry Potter, vem aí um clube do livro oficial

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Prepara-se para voltar a ler todos os livros da saga

Prepara-se para voltar a ler todos os livros da saga

Adriano Guerreiro, no NIT

No ano em que se comemoram os 20 anos do lançamento de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, a Pottermore, o projeto criado pela autora J.K. Rowling, vai ter um clube do livro oficial. Chama-se “Wizarding World Book Club” e será uma espécie de fórum onde todos os fãs poderão participar com discussões e partilha de ideias.

O novo clube online vai começar a funcionar a partir de junho. É a partir da conta oficial do Twitter que os fãs vão ter acesso aos temas que estão em discussão bem como onde poderão deixar a sua opinião. A cada semana um novo tópico sobre os sete livros que compõem a saga Harry Potter será lançado.

clube do livro

Também no site Pottermore será criada uma nova seção dedicada ao clube. Para ter acesso a alguns dos conteúdos exclusivos precisa de estar registado. No site é referido que o novo clube tanto é indicado para os velhos leitores como para quem só agora se começou a interessar pelas aventuras do jovem feiticeiro.

Nas próximas semanas serão divulgadas mais informações. “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, o primeiro livro da saga, foi lançado pela primeira vez em junho de 1997. Seguiram-se mais seis obras. O universo de feiticeiros regressou aos cinemas em 2016 com “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, cuja sequela está prevista estrear em 2018.

Com o tempo que gasta no Facebook, você conseguiria ler 200 livros em um ano

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Crédito: Reprodução

Crédito: Reprodução

Maria Confort, no Manual do Homem Moderno

Acha que lê pouco? A culpa, além da sua preguiça, é provavelmente do Facebook. O tempo que você gasta na rede social poderia te dar uma brecha no seu dia para ler cerca de 200 livros em um ano.

Sabe aquela desculpa de não ter tempo para ler? Então, ela é uma furada. Tudo na vida é prioridades e, neste caso, a sua prioridade provavelmente é passar boa parte do seu tempo vendo seu feed de notícias. Quem garante isso é o escritor norte-americano Charles Chu, que comprovou a própria tese em 2015, quando lançou a si mesmo o desafio de ler pelo menos 3 livros por semana.

A ideia começou quando ele descobriu que seu ídolo, o investidor Warren Buffett, atribuía o próprio sucesso à força da sua relação com os livros. Segundo o bilionário em uma entrevista para o USA Today, o ideal para o sucesso é ler 500 páginas por dia: “É assim que o conhecimento funciona, é construído (…) Qualquer um é capaz de ler 500 páginas por dia, embora a minoria realmente faça isso”. Na época que leu essa entrevista, Chu estava no seu “emprego dos sonhos” e seus amigos e familiares o consideravam um vencedor, mas, mesmo assim, ele sentia um vazio gigantesco em relação às próprias escolhas.

Então, ele decidiu então seguir o conselho de Buffett e investir, com força, nos livros. Funcionou: ele não conseguiu chegar ao máximo de 500 páginas por dia, mas depois de 2 anos já tinha terminado mais de 400 livros. “Os livros me deram coragem para viajar, a convicção para me demitir, me deram modelos e heróis e significado em um mundo em que eu não tinha nenhum”, escreveu ele em seu site, Better Humans.

Para alcançar esse objetivo, Chu dá a dica: não desista antes de começar e pense o óbvio. Estatisticamente, os norte-ameircanos leem entre 200 e 400 palavras por minutos. Um livro de não ficção, por exemplo, tem em média 50 mil palavras. Multiplique isso por duzentos e elas serão 10 milhões e palavras. Depois, divida 10 milhões por 400 – que seria a sua capacidade de leitura por minuto – e pronto: ser˜åo necessários 25 mil minutos, ou 417 horas, para ler 200 livros. Agora, tudo o que você precisa fazer é encontrar tempo.

Segundo Chu, o norte-americano médio passa 608 horas nas mídias sociais e 1642 horas na frente da televisão: “São 2250 horas por ano gastas com lixo” reforça. “Se fossem gastas lendo, você poderia ler mais de mil livros por ano!”. Entendeu o raciocínio?

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