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Viúva de Paulo Freire lança livro com artigos inéditos dele

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Nita Freire é a guardiã das obras de Paulo Freire Foto: Bárbara Lopes / Agência O Globo

Publicação de Nita Freire reúne ainda discursos feitos de improviso em diferentes países

Julia Amin, em O Globo

RIO — Viúva de Paulo Freire, Ana Maria Araújo Freire vai lançar, em novembro, mais um livro com artigos inéditos do educador. “Pedagogia do compromisso — América Latina e educação popular” reúne transcrições de entrevistas, conferências e discursos feitos de improviso na Argentina, no Chile e no Uruguai, além de um manifesto em homenagem ao povo da Nicarágua. Nita, como é chamada, afirma que é a guardiã das obras de Freire e que lutará “até as últimas forças” para expandir o legado dele .

Para ela, o fato de Freire ser tão combatido atualmente tem relação com a forma pela qual ele entendia educação. Alfabetizar significava para ele fazer com que as pessoas se tornassem conscientes de suas posições no mundo. Depois de terem uma formação crítica, a partir da leitura e da escrita, deixariam de ser oprimidas, e estariam, de fato, inseridas na sociedade, com participação ativa nas tomadas de decisão e em assuntos do país.

— Paulo tinha necessidade de fazer um programa de educação no país porque ele viu que grande parte do povo não se sentia igual a nós, vivia à sombra porque não sabia ler e escrever. Ele disse: “Eu quero tornar todo brasileiro sujeito de sua própria história, e para isso tenho que começar a alfabetizar”. Isso foi apavorante para o regime militar. Ele não estava lá para alfabetizar e as pessoas falarem blá-blá-blá. O intuito dele era fazer com que homens e mulheres fossem conscientes de suas posições no mundo, de seu direitos e deveres — explica Nita, que dentre alguns livros de sua autoria publicou “Paulo Freire: uma história de vida”, obra vencedora do Prêmio Jabuti em 2007.

Nita também ressalta o reconhecimento mundial de Freire, com milhares de prêmios recebidos. Só de títulos de doutor honoris causa foram 46, sendo o brasileiro a ganhar mais vezes a honraria. Em 2016, Elliot Green, professor associado da London School of Economics, divulgou um estudo em que mostrou que Paulo Freire foi o terceiro pensador mais citado em trabalhos acadêmicos de língua inglesa, com 72.359 aparições.

— Paulo é um homem brilhante, ilumina educadores do mundo todo. A revolução dele não é pegar em armas, é sobre mexer com a infraestrutura do país para mudar a superestrutura. Se a parte de baixo mexe, a de cima vai mexer também — afirma Nita.

Jovem com paralisia cerebral aprende a se comunicar com os olhos e publica livro

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Publicado no IG

Jonathan Bryan é um rapaz de 12 anos, de Wiltshire, na Inglaterra, e, como a maioria dos garotos na sua idade, adora conversar e escrever. Porém, essas ações, que parecem simples e naturais para muitos, eram, até então, “impossíveis” para o menino que nasceu com paralisia cerebral grave.

Eye Can Talk

Jonathan Bryan, de apenas 12 anos, segura seu livro “Eye Can Talk”

Sua condição o deixou incapaz de andar ou falar, além de ter causado “deficiências profundas e múltiplas de aprendizado”, conforme diagnosticaram os médicos. No entanto, a mãe de Jonathan, Chantal não deixou que a paralisia cerebral impedisse o filho de se comunicar.

Apesar de ter sido considerado como uma pessoa “impossível de ser ensinado”, a mãe de Jonathan, se recusou a desistir e se dedicou a ensinar o filho como se comunicar. A técnica que ela desenvolveu para ajudá-lo se trata do direcionamento dos olhos do menino para algumas cartas em um quadro, formando palavras e frases.

Apenas alguns anos depois de aprender o novo método, Jonathan escreveu uma autobiografia e publicou o livro “Olhos podem escrever: Uma memória da alma silenciosa de uma criança emergente”
, ainda sem tradução para o português.

Agora, Jonathan também começou a escrever um romance. “Eu me sinto empolgado e um pouco apreensivo. Estou com medo sobre o que pode acontecer se as pessoas não gostarem do meu livro”, disse ele ao Daily Mail.

Todo o lucro do livro – que tem um prefácio de seu herói literário e autor do livro “Cavalo de Guerra”, o escritor Michael Morpurgo – vai para a instituição de caridade de Jonathan, Teach Us Too, que tem como objetivo garantir que todas as crianças sejam ensinadas a ler e escrever.

Em entrevista ao portal britânico, o garoto falou, através do quadro de letras, que seu método de escrita é lento, mas isso não foi suficiente para impedi-lo de aprender. “Eu planejo e depois escrevo. Eu não gosto de repetir a mesma palavra duas vezes, então eu sempre estou com o meu dicionário de sinônimos por perto. Demorei um pouco para fazer o livro. Escrevi quase todos os dias, mas não aos domingos nem nos feriados.”

Ele também falou sobre como é se comunicar com seus colegas e familiares. “Quando estou escrevendo, não gosto quando as pessoas tentam adivinhar a palavra que estou escrevendo antes de terminar de escrever. É muito irritante”, contou.

Para a mãe de Jonathan, ver o trabalho do filho é emocionante e motivo de comemoração. “Acho que, como família, estamos todos orgulhosos de Jonathan e do que ele conseguiu. Há algumas semanas, ele recebeu as duas primeiras cópias do livro e decidiu entregá-las a suas duas irmãs, depois de dedicar o livro a elas. Foi muito fofo”.

Paralisia cerebral e suas sequelas

Jonathan nasceu após 36 semanas de gestação, quatro dias após o útero de sua mãe se separar da placenta depois que ela sofreu um acidente de carro.

Depois que ele nasceu, os médicos descobriram o garoto, que sofreu muitos danos cerebrais
, também tinha insuficiência renal. Um médico chegou a dizer que ele tinha “uma das piores imagens de ressonância magnética que ele já havia visto”, conforme contou a mãe.

Eye Can Talk

Mesmo com o diagnóstico de paralisia cerebral, a mãe do garoto não desistiu de ensiná-lo a se comunicar com os olhos

Mesmo assim, a família insistiu para que o menino fosse à escola, e ele freqüentou uma instituição especializada em crianças deficientes, mas nunca foi ensinado a ler ou escrever.

Quando ele ainda era mais novo, a família foi visitada por um especialista, que atende várias crianças com a mesma condição de Jonathan, e o profissional sugeriu que o garoto poderia se comunicar através de seus olhos.

Chantal, que também é mãe de Susannah, de 9 anos, e Jemima, 6, conta que quando elas começaram a estudar em casa, Jonathan tinha 7 anos. Elas então começaram a ensiná-lo a soletrar, até que ele foi capaz de escolher palavras pré-selecionadas no quadro e então passou a se comunicar com os olhos
.

A mãe recorda emocionada o momento em que conseguiu se comunicar mais diretamente com o filho. “O enchi de perguntas e, de certa forma, foi muito reconfortante perceber que conhecíamos ele o tempo todo. Perguntei-lhe qual era a coisa mais frustrante para ele e esperava que dissesse não poder falar. Mas ele disse que era quando eles lavavam seu rosto”.

Método de se comunicar com os olhos

Jonathan usa três placas de madeira com letras, números e pontuação, que são retidas na frente dele, para que ele possa fazer uma seleção com os olhos. Ao escrever o livro, parentes e amigos digitavam suas palavras em um computador, conforme ele ia se comunicando.

O garoto começou a escrever o livro de 192 páginas depois de terminar seus exames finais da escola, em junho do ano passado. O primeiro manuscrito foi para as editoras perto do Natal.

Sua versão final foi aprovada em maio e ele recebeu a primeira cópia em capa dura no mês passado, antes do lançamento nas principais livrarias que deve acontecer nesta quinta-feira (12).

“Olhos podem escrever: Uma memória da alma silenciosa de uma criança emergente” é um livro publicado pela editora Bonnier Publishing. A obra do menino com paralisia cerebral
está disponível para compra na Amazon e em todas as principais livrarias da Inglaterra.

Analfabeto até os 65 anos se forma em História aos 79

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PROFISSÃO CERTA – REPRODUÇÃO FACEBOOK

Seu Valdir superou a pobreza e a doença da mulher e conquistou diploma universitário

Francisco Alves Filho, no Jornal O Dia

Rio – Essa é daquelas histórias que servem de incentivo para quem acha que seus objetivos são muito difíceis de alcançar. De família pobre e desde cedo trabalhando duro em várias funções para sobreviver (atuou em lapidação, em gráfica, foi motorista e carregador), Valdir de Lima não teve tempo de estudar. Por causa disso, manteve-se sem saber ler e escrever até os 65 anos de idade.

Isso não impediu que se apaixonasse pela carreira de História (Veja um vídeo sobre o curso). “Foram minha mulher e meus filhos que me ajudaram a ler. Comprava jornais, revistas e livros e ficava encantado com a história das pessoas, dos lugares”, conta ele. Aos poucos, foi aprendendo mais com as aulas do Telecurso 2000. “Sou autodidata”, orgulha-se.

Resolveu ir mais longe. Fez o Ensino Médio e depois matriculou-se no curso de História da Universidade Estácio de Sá. Por 8 anos, dividiu o tempo entre a sala de aula da universidade e o quarto de hospital onde sua mulher estava internada. Ela teve que tirar um rim e acabou falecendo, depois de uma convivência de 56 anos. Mesmo sem sua maior incentivadora ao seu lado, Seu Valdir continuou os estudos.

Como resultado, Seu Valdir se formou historiador no fim de março, aos 79 anos, sob aplausos dos colegas mais jovens. “Levantar aquele canudo foi libertador”, desabafou Valdir.

54% dos alunos que deveriam estar alfabetizados têm problemas para ler

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Publicado no UOL

Mais da metade dos alunos de oito anos das escolas públicas no Brasil tem conhecimento insuficiente em leitura e matemática, segundo dados da ANA (Avaliação Nacional da Alfabetização) 2016, divulgados nesta quarta (25) pelo MEC (Ministério da Educação).

Os números mostram que 54,73% dos alunos têm problemas de leitura –eles não conseguem, por exemplo, interpretar e localizar informações específicas em textos científicos ou de gêneros como lenda e cantiga folclórica. Além disso, eles têm dificuldade para reconhecer a linguagem figurada em poemas e tirinhas.

Esses resultados estão estagnados desde 2014, quando 56,17% dos alunos tiveram desempenho insuficiente na habilidade de leitura.

A ANA foi aplicada para mais de 2 milhões de crianças em novembro de 2016, quando 90% dos estudantes avaliados possuíam oito anos ou mais.
Já 54,46% dos alunos têm problemas para fazer contas de adição, subtração, multiplicação e divisão, além de não conseguir interpretar gráficos de colunas, por exemplo. Em 2014, esse número foi de 57,07%.

A escrita apresenta índices menos críticos, mas ainda preocupantes: cerca de 34% dos estudantes apresentam desempenho insuficiente –em geral, os alunos têm problemas de grafia e para escrever um texto narrativo coeso.

Hoje, pelo Pnaic (Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa), espera-se que até os oito anos, no fim do 3º ano do ensino fundamental, as crianças estejam alfabetizadas tanto em língua portuguesa como em matemática.

Desigualdades regionais

As regiões Norte e Nordeste apresentam o pior desempenho em todas as habilidades avaliadas. Na região Norte, 70,21% dos alunos têm desempenho insuficiente em leitura, 49,39% em escrita e 70,84% em matemática. No Nordeste, 69,15% têm problemas para ler, 47,44% para escrever e 69,46% em matemática.

Na região Sudeste, 43,69% dos alunos tiveram desempenho insuficiente em leitura, 20,29% em escrita e 42,71% em matemática.
Antecipação da alfabetização

Para a ministra substituta da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, os dados mostram a necessidade de se antecipar a alfabetização do 3º para o 2º ano do ensino fundamental.

“Entendemos que [antecipar a alfabetização] significa um passo à frente para melhoria da qualidade da educação brasileira no futuro”, disse.

A proposta vem sendo debatida desde abril, quando o MEC incluiu na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) a definição de que as crianças saibam ler e escrever aos sete anos. Há um impasse, no entanto, com o CNE (Conselho Nacional de Educação) –conselheiros têm defendido que a alfabetização continue sendo realizada até o 3º ano do ensino fundamental.

Para Maria do Pilar Lacerda, ex-secretária de educação básica do MEC e diretora da Fundação SM, “antecipar a alfabetização é antecipar o fracasso”.

“O que não podemos fazer é penalizar as crianças. Se você coloca a alfabetização até sete anos e a criança não for alfabetizada, ela será reprovada. Esse já é um grande problema da educação brasileira hoje, que é a exclusão pela reprovação”, afirma Maria do Pilar.

Professores assistentes de alfabetização

O MEC anunciou ainda a criação do Programa Mais Alfabetização, que prevê a presença de professores assistentes de alfabetização em sala de aula. Segundo a pasta, os professores assistentes trabalharão em conjunto com os docentes regulares nas salas de aula do 1º e 2º anos do ensino fundamental.

“Cada professor assistente deverá apoiar durante 5 horas por semana a turma que ele for responsável. A distribuição dessas 5 horas poderá ser feita de diferentes formas, conforme desenhado pela rede de ensino”, explicou o secretário de educação básica, Rossieli Soares da Silva.

De acordo com o MEC, o investimento no Mais Alfabetização será de R$ 523 milhões até o fim de 2018, e a expectativa é que sejam atendidos 4,6 milhões de alunos.
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Dica para aproveitar o tempo na faculdade sem perder a motivação

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(iStock/iStock)

(iStock/iStock)

Veja como encontrar tempo para explorar seus próprios interesses

Ana Prado no Guia do Estudante

Benjamin Franklin é um exemplo de produtividade muito citado nos Estados Unidos. Dá para entender o motivo lendo poucas linhas da sua biografia: o cara foi jornalista, escritor, filantropo, político, funcionário público, cientista, diplomata e inventor. Ele fez descobertas importantes sobre eletricidade e meteorologia e entre suas invenções estão o para-raios, as lentes bifocais e o corpo de bombeiros norte-americano.

Uma das práticas atribuídas a ele para dar conta de tudo sem deixar a criatividade de lado é a chamada “regra das cinco horas [semanais]”. Benjamin Franklin costumava investir pelo menos uma hora em cada dia da semana (tirando os finais de semana) para aprender coisas novas e trabalhar em projetos pessoais.

Mesmo que estivesse ocupado no dia, ele sempre usava essa horinha para fazer coisas como ler e escrever, refletir sobre os objetivos que queria atingir e medir seu progresso, fazer experimentos ou simplesmente pensar sobre questões diversas.

Estamos falando sobre o tema neste blog porque a faculdade pode exigir muito do seu tempo e você pode eventualmente se sentir sobrecarregado. E quando a gente fica sobrecarregado pode começar a deixar de ver sentido nas coisas e se desanimar.

Além disso, com o excesso de tarefas, é comum fazer tudo no automático para terminar logo. O ponto principal da regra das cinco horas é ter um tempo de respiro, para refletir sobre o que você tem aprendido e sobre as coisas que lhe são importantes.

Nessa horinha do seu dia, você pode:

– planejar o seu aprendizado. Você vai ter várias matérias para estudar obrigatoriamente, mas a universidade também vai lhe dar a oportunidade de desenvolver interesses que você nem imaginava ter. Pense nos assuntos ou habilidades que você quer explorar mais a fundo e planeje como vai fazer isso. E então use parte desse tempo livre para ir atrás disso.

– praticar o que você tem aprendido – e refletir a respeito. Em vez de só fazer as coisas sem pensar, a ideia é prestar atenção às suas práticas e leituras e avaliar o seu progresso. Identifique seus pontos fortes e fracos, peça a opinião de seus colegas e professores sobre como você está se saindo. Peça dicas para melhorar.

– desafiar-se e testar ideias. Quanto mais a gente aprende, mais quer aprender. Use esse tempo para se desafiar ou fazer experimentos e desenvolver projetos nas áreas em que mais se interessar.

A grande vantagem desse método é constância: você vai ver que pode chegar muito mais longe fazendo um pouquinho a cada dia do que fazendo muita coisa uma vez por ano. É só pensar no processo de leitura daqueles livros enormes que a gente pena para terminar: podemos até passar uns anos tentando ler um monte de páginas a cada seis meses, mas só conseguimos realmente terminar o livro quando assumimos o compromisso de ler um pouquinho a cada dia, mas com regularidade.

(Via Stanford).

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